AMÉRICA LATINA – INTEGRAÇÃO, SOLIDARIEDADE E MUDANÇAS Por: Santiago Brugal* Havana – Integração, solidariedade e mudanças são os ventos que percorrem a região da América Latina e o Caribe, ficou assim expresso na audiência do Parlamento cubano sobre a marcha da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), com a participação de representantes da Venezuela e a Bolivia, em que mais uma vez se condenou o bloqueio norte-americano contra Cuba. Também, parlamentares de Cuba e o Panamá o ratificaram na declaração final da sua XIV Encontro Interparlamentar e na reunião da Associação da Unidade da Nossa América (AUNA-Cuba) no seu XII aniversário. A esse encontro assistiram académicos e peritos da Argentina, o Brasil, a Costa Rica, Cuba, o Equador, EEUU, o México o Uruguai e a Venezuela, estando centrandos os debates nos processos socio-políticos e os espaços de integração na região. Os parlamentares do Panamã e Cuba reconheceram o significado da ampliação do Canal do istmo e as suas consequências no futuro desenvolvimento do país e da troca comercial bilateral e mundial, destacando ainda a colaboração cubana na saúde, a educação e o desporto. Na audiência parlamentar, com a participação de representantes da Venezuela e a Bolivia, a Comissão de Assuntos Económicos da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba ouviu relatórios sobre a marcha dos acordos da ALBA, os resultados e os planos a serem aplicados num futuro, nomeadamente nos sectores da energia, saúde, educação, desporto e outros como o agricola e o transporte. Nos últimos anos formaram-se diferentes empresas conjuntas, como as duas petroleiras estatais PDV-CUPET e Transportes marítimos da ALBA, incluido no acordo Petro-Caribe, a Construtora da ALBA, também são postos em marcha os projectos de caminhos-de-ferro Latino-Americanos e a Fundação Cultural da ALBA. “ ...estamos a fazer economia de troca e de equivalência, eles davam boa parte dos hidrocarbonetos ao império”, declarou há pouco tempo o presidente Hugo Chávez em referência aos governos anteriores. Chãvez falou na inauguração de um centro Integral de Saúde construido com o apoio de Cuba e acreecentou que se forem contados os centavos gastos e investidos pela ilha no apoio à Venezuela, isto tem um custo maior que o petróleo que a Venezuela envia à Ilha. A Operação Milagre , impulsada pela Venezuela e Cuba para operar da vista de forma gratuita a pessoas de poucos recursos, já atendeu milhares de pacientes da região. Jã são 28 os países da América que recebem estes beneficios e num futuro se extenderá a África. Além disto, o mundo rejeitou mais uma vez na Assembleia-Geral das Nações Unidas o bloqueio económico, financeiro e comerccial dos Estados Unidos contra Cuba, por mais de 45 anos, como o fizeram também a Conferência dos Países Não-Alinhados celebrada em Havana e a Cimeira das Nações Ibero-Americana realizada em Montevideu. No ámbito ibero-americano soma-se a isto a reeleição do presidente Luis Inacio Lula da Silva no Brasil, a eleição de Daniel Ortega na Nicarágua, e o prognosticado triunfo de Hugo Chávez na Venezuela. Mais ao norte o povo norte-americano expressa os seus desejos de mudanças nas eleições ao Congresso e de governadores, em que mais do que um voto maioritário aos democrátas foi um referendo, segundo as sondagens. Um referendo contra a insustentável política guerreirita da administração de George W. Bush no ámbito internacional e que está a conduzir o país a uma crise económica inevitável e de incalculáveis consequências. Por último, na Bolivia terá lugar uma cimeira dos 12 países da Comissão Estrátegica para a Integração da América do Sul, que tomará acordos nos sectores financeiro, institucional, da energia, fisico ou de infra-estrutura e social, como a fundação de Petro-Sul, a criação do Banco do Sul e de uma estrutura que leve em conta as experiências do MERCOSUR, a Comunidade Andina de Nações e o CARICOM. As nações da região que não conseguiram avançar nos processos de integração pelas políticas neoliberais, contam hoje com a possibilidde da ALBA, projecto ao qual a Nicarágua anunciou já a sua incorporação, o qual está inspirado nas ideias do Libertador Simão Bolivar e o prócero cubano José Martí. *O autor é colaborador de Prensa Latina. AMP