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VENEZUELA : A AlLTERNATIVA BOLIVARIANA PARA OS POVOS DA AMÉRICA (ALBA)

Por: Osvaldo Cardosa Samón*

Caracas- Focada em temas energéticos e sob preceitos de uma necessaria integração.o presidente venezuelano, Hugo Chávez, realizou em começos de maio um périplo por paises da Europa e do norte de África. No decorrer da sua viagem Chávez tentou incentivar a vontade dos lideres politicos visando uma aliança multipolar em beneficio dos paises, para que assim possa ser exercida a soberania energética.

Reivindicou com firmeza o direito dos povos a exercer o controlo dos seus produtos para fazer face aos problemas da injustiça social e económica. “Cheguei disposto a abrir varias fontes de cooperação e aprofundar os laços jã existentes no politico, no social, na luta contra a pobreza, na luta contra a exclusão”, assegurou o governante no seu discurso no Parlamento da Itália, o primeiro pais visitado.

Na reunião com o presidente da Cámara de Deputados do Parlamento italiano, Fausto Bertinotti, dissertou sobre o projecto do Grande Gasoduto do Sul, que pretende remediar as necessidades de quatro paises sul-americanos. Esta iniciativa é incentivada pelo própio Chávez, os presidentes Inacio Lula da Silva, do Brasil, Néstor Kirchner, da Argentina, e recentemente somou-se Evo Morales, da Bolivia.

Esta excelente obra, de oito mil quilómetros de comprimento (e extensão de 12 mil quilómetros tendo presente as conexões), vai ter um custo de 20 mil milhões de dólares. Na Itália Chávez também foi recebido pelo Papa Benedicto XVI noVaticano, onde abordou o tema da pobreza e os programas do seu governo para a sua erradicação.

Hugo ChávezSobre o seu encontro com o Sumo Pontifice disse ter explicado os beneficios da Missão Robinson, onde mais de um milhão de pessoas iniciaram a alfabetização. Falou ainda da Missão Bairro Adentro, realizada com aa juda de médicos cubanos, que oferecem os seus serviços nas comunidades mais necessitadas, esquecidas por anos.

Depois do diálogo com o Chefe da Igreja Católica o dirigente sul-americano trasladou-se a Viena onde assistiu à cimeira de paises latino-americanos e europeus. Nesse encontro submeteu a exame a criação de Petro-Euro-América, mecanismo que vai diligenciar a cooperação nessa materia com paises unidos à Europa como os do norte de África, a Argelia, a Libia e o Egipto.

“Em primeiro lugar seria bom que um grupo de peritos fizessem uma analise sobre o tema energético e a procura de soluções”, esclareceu Chávez, quem revelou também que o chefe do governo espanhol, José Luis Zapatero, formulou a criação do centro latino-americano de estudos de problemas e procura de soluções.

Neste contexto o lider da Revolução Bolivariana convidou à presidenta do Chile, Michelle Bachelet, para o seu pais se integrar ao projecto do Grande Gasoduto do Sul, estando marcada a sua execução para agosto próximo. “O Chile, este pais irmão, deve, assim o considero e o falei com Bachelet, integrar-se mais cedo que tarde ao grande projecto do gasoduto do Sul , para garantir gas aos chilenos, energia limpa e barata durante 150 anos”.

Precissou que “os paises do Sul, que temos grandes reservas de gas e petróleo, a Venezuela é um deles, querem ajudar aos povos do Sul , primeiro, antes que aos povos do Norte, pois eles tem bastante tecnologia, avanços e recursos”.

Com o seu oferecimento à Presidenta do Chile o presidente venezuelano “abriu caminhos para a integração como uma necessidade urgente, ate de sobrevivência”, consideraram os analistas para os quais “os avanços nesta direcção precisam da indispensável energia politica”. Chávez em Londres, o terceiro pais visitado, referiu-se à assinatura de um Tratado de Comercio dos Povos (PCP) com o Reino Unido.

No acto, ao qual foi convidado pelo Presidente da Cámara Municipal de Londres, Ken Livingstone, esclereceu que a ideia de subscrever um convénio desta natureza surgiu de uma conversação entabulada com EvoMorales e o presidente cubano, Fidel Castro. “Podemos trabalhar também com a Inglaterra em programas de cooperação relacionados com a saúde e no social, é a Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA) unindo-se com a Europa”, disse.

Quando horas depois chegou à Argelia, Chávez analisou com o seu anfitrião, Abdelaziz Buteflika,o estado dos 13 acordos bilaterais assinados no ano 2001 e a situação mundial, assim como as alianças multilaterais como o Grupo dos 15 (G-15) e o Movimento dos Nao-Alinhados, que se reunirá em setembro em Cuba.

“Estamos juntos na Organização dos Paises Exportadores de Petróleo (OPEP), no Grupo dos 15 (G-15) e no ámbito bilateral estamos a fortalecer essa relação”, disse Buteflika. Ambos os presidentes assinaram dois convénios sobre Comércio Maritimo e afiançaram os laços económicos. As partes afirmaram que fortalecerão o intercâmbio tecnológico na elaboração do grande gasoduto, pois a nação argelina tem boa experiência neste tipo de obras.

Com certeza, a Venezuela, quinto pais exportador de petróleo cru do mundo, procura possiveis soluções ao acesso soberano e equitativo dos recursos energéticos, que implica, em primeiro lugar, o empenho politico e a perspectiva estratégica.

O fortalecimento das relações bilaterais Libia-Venezuela, a coordenação de politicas petroleiras e o estabelecimento da cooperação no gas foram os temas que abordou Chávez com o presidente da Libia, Muamar Gadafi.

Em Tripole, último pais visitado, acordaram o fortalecimento do compromisso com a OPEP, para o mantenimento dos preços actuais do petróleo cru, abordando-se novamente o tema do grande gasoduto e a sua importância para toda a América do Sul.

O próximo primeiro de junho a OPEP vai celebrar em Caracas a 141 Conferência Ministerial, pendente da crise nuclear de Ocidente com o Irão. “Comecaram novos tempos, há um renascimento dos valores”, declarou Chávez o dia 11 de maio último, segunda jornada do seu périplo internacional. Os analistas consideram que esta viagem de Chávez alertou consciências e difundiu o modelo da Alternativa Bolivariana para uma nova integração, com uma visão humana, económica e social.

*O autor é chefe da Redacção de Latino-América e o Caribe de Prensa Latina. Enviado especial à Venezuela. AMP

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