O CORNO AFRICANO Por: Roberto Correa Wilson* -Os colonialistas viam como um perigo os vínculos entre os africanos Havana – Os povos do chamado Corno Africano, situado ao nordeste do continente, integram uma impressionante miscelânea étnica pela sua grande variedade e origens diferentes. Moram em nações, na sua maioria fronteiriças, e em conjunto abrangem uma superficie superior aos dois milhões de quilómetros quadrados. Na zona coabitam mais de um centena de grupos étnicos com diferentes niveis de desenvolvimento, crenças e tradições culturais, influídos, entre outras coisas, pelas condições históricas e características das zonas em que se desenvolveram. Num território tão extenso estes grupos não tiveram pontos de encontro com outros doutros países, e até em muitos casos, e por diferentes causas, com grupos das suas próprias nações. Uma delas foi o pouco interesse dos colonilistas no vínculo entre as diferentes raças, pois viam isto como uma ameaça para o seu sistema de exploração. Nas nações que integram o Corno Africano: a Etiópia, a Eritrea, a Somália, Jibuti e o Quénia, actuaram as potências coloniais da época, a Grã-Bretanha, a França, a Itália e a Alemanha, as quais disputaram esse território. Foi no século XIX que começou a ocupação europeia da região. Prensença na Etiópia È o maior dos países e foi quem menos tempo suportou a ocupação do seu território por forças estrangeiras. Em 1936 as tropas italianas ocuparam a sua capital, Addis Abeba. Posteriormente alargaram a sua dominação a todo o país, mantida até pouco antes do fim da Segunda Grande Guerra. Nesta nação as raças mais importantes são: amara, tigre zagwe, gala e oromo entre outras. A lingua falada por grande parte da população é o amárico, deriva-se do primeiro desses grupos . As regiões de Tigre e Galla foram assento dos grupos étnicos com esse mesmo nome. Para o século XI os povos zagws estabeleceram-se no centro do país, e os oromos no sul. Talvez devido à extensão do território etíope, estes e outros grupos locais não tiveram uma relação sólida. A Eritrea, antiga possessão italiana até ao século XX, sempre teve o seu destino ligado ao da Etiópia, situação que provoca que os seus grupos étnicos sejam confundidos com os dessa nação. No Jibuti, o mais pequeno dos Estados da região, a composição étnica está formada pelos affars, que compreende os adoimaras; e os issas, que integram os adgal, delol e mardiq. A influência dessas duas raças foi tal que o país recebe o nome de Território dos Affas e os Issas. A França deu-lhe um estatuto colonial com o nome de Costa Françesa dos Somalis e Dependências ao concluir a sua ocupação. Depois foi chamado Jibuti. Diversidade somali A composição étnica está integrada por: isaas, hawiye, dir, daarod, sap e mujurtein, entre as mais sobressalentes. A zona, que recebeu certa unidade depois da introdução do Islão em 760, esteve formada por infinidade de reinos independentes, os quais reuniam um crescido número de tribos. O laço religioso era só o que os unia. Embora as suas origens tenham sido comuns, a diversidade de reinados e tribos, e a sua fragmentação política impediu a formação de uma nacionalidade. O país foi colonizado pela Itália. Revolta no Quénia Os kikuyos moravam nas altas meseta, luos, balunya, kamba, maru, kissi, embu, kipsigis e massai sõ os principais grupos. Kamba, kikuyo e massai opuseram grande resistência à Gra-Bretanha na altura em que foi proclamado o Protectorado Británico da África Oriental, em 1895, formado pelo Quénia e a vizinha Uganda. A oposição à presença estrangeira atingiu a sua maior escala em 1952 com a revolta dos kikuyos, que exigiram a devolução das terras e a cessação do mau trato à população africana. A insurreição camponesa dos mau-mu, como foi conhecido em todo o mundo esse movimento, foi deformada e caluniada pelo ocidente, que atribuiu aos revoltados violações dos direitos humanos. As diferentes raças do Quénia deram um exemplo de unidade para libertar o país da dominação estrangeira, que a Grã-Bretanha com toda a su força não conseguiu quebrar. Essa é a história dos grupos étnicos do Corno Africano. O autor é jornalista cubano, especilizado em política internacional, tem trabalhado como correspondente em vários países africanos. AMP