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CUBA ESTADOS UNIDOS: POSADA CARRILES, UMA PEDRA NO SAPATO DE WASHINGTON

Por: Javier Rodríguez*

Havana- Temerosos que o governo norte-americano, para o qual sempre trabalhou e do que recebeu todas as orientações, possa tentar sacrificá-lo ou abandoná-lo a sua sorte, o terrorista internacional Luis Posada Carriles, continua com ameaças de revelar a informação comprometedora que possui.

Posada detido atualmente na unidade das autoridades migratórias estadunidense em El Paso, Texas, mantém a pressão sobre a administração do presidente George W. Bush para evitar, por todas as vias, uma decisão que o remita a outro país ou o apresentante perante os tribunais para responder por graves acusações, assassinato e tortura, inclusive.

Como já se conhece, o acusado é o autor intelectual da explosão em pleno vôo de um avião da Cubana de Aviação, em 1976, com o saldo de 73 pessoas mortas, incluindo o time juvenil cubano de esgrima, que vinha da Venezuela.

Caracas pediu sua extradição, não só por esse fato, mas por sua atividade como parte dos grupos repressivos venezuelanos durante os governos dos partidos Ação Democrática e COPEI e a fuga desde uma prisão desse país, acontecida quando estava à espera do falho de um tribunal local.

Depois de ser adiada a decisão judicial sobre o recurso de habeas corpus apresentado por seu advogado Eduardo Soto, que procura lhe seja concedida a liberdade provisória e fique arquivada definitivamente a possibilidade de sua extradição, Posada decidiu pressionar ainda mais os seus antigos aliados.

Ele teme as perigosas vacilações do Executivo norte-americano e lembrou publicamente que todas as ações terroristas foram ordenadas sempre pelas autoridades daquele país e com conhecimento dos mais altos funcionários de Washington.

Sobre seu passo pela América Central, favorecendo os contra-revolucionários nicaragüenses e os esquadrões da mortes em El Salvador, Posada Carriles repete até o cansaço que o que fez era orientado pelo então vice-presidente George H. Bush.

Esse conhecido vínculo com o pai do atual presidente dos Estados Unidos incluiu as ordens para o que foi qualificado, até pelo próprio Departamento de Segurança Nacional norte-americano, como atos de tortura e assassinato.

As ameaças de Posada à Casa Branca incluíram novamente menções de possíveis reclamos de seus defensores para que importantes figuras daqueles tempos testemunhem sobre tais episódios.

Os nomes do senador John Kerry e do coronel retirado Oliver North encabeçam as listas de eventuais depoentes propugnada pelo terrorista como suposta garantia de revelação da verdade, sobre as sujas operações de então, caso seja jogado fora. North teve a seu cargo as chamadas ações encobertas que provocaram o escândalo internacional pelo transporte de armas organizado pelos Estados Unidos para derrubar o governo sandinista.

Kerry participou das pesquisas desses fatos que custaram a vida de milhares de pessoas na América Central e os quais apenas são um pingo no longo historial de violência acumulado por Posada e conhece os detalhes da participação oficial neles.

É óbvio que Washington não quer que nenhum júri ouça estes depoimentos, pois sairiam à tona muitas das coisas negadas durante décadas pelos organismos de inteligência e os próprios funcionários governamentais. Entre elas estão as referentes aos atos terroristas desenvolvidos contra instalações turísticas cubanas que causaram a morte a um turista italiano e importantes prejuízos materiais ao país.

Os problemas relacionados com as tortuosas soluções que procura a Casa Branca para resolver de seu jeito a situação de Posada Carriles sem aceitar, naturalmente, as responsabilidades que lhe correspondem na longa história de fatos violentos protagonizados por esta, se incrementam assim pela estratégia assumida pelo detido.

Posada parece querer deixar bem claro que está perdendo a paciência enquanto espera por sua liberação definitiva e uma espécie de anistia como a que foi aplicada a Orlando Bosh, seu cúmplice em atividades terroristas, que mora livremente em Miami.

Paralelamente, as denúncias de Cuba, Venezuela e outros países e organizações vão colocando cada vez mais no conhecimento do povo norte-americano a proteção que lhe fora oferecida historicamente ao terrorista pelos Estados Unidos. Trata-se de uma realidade que coloca abertamente sob suspeita a suposta luta contra o terrorismo que Bush tem assumido como ponto cardeal de sua política exterior.

Em definitiva, os escândalos continuam constantemente no processo e podemos dizer que os Estados Unidos têm hoje dificuldade para poder livrar-se de seu principal ajudante para as piores operações em toda a sub-região, que agora é como uma pedra em seu sapato.

*O autor é jornalista da Redação Nacional de Prensa Latina.

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