CUBA: PASSEIO ENTRE PIRATAS, CORSÃRIOS E FILIBUSTEIROS Por: Raúl García Álvarez* Sancti Spíritus – Por mais de dois séculos os piratas, corsários e filibusteiros francêses, holandêses e inglêses converteram-se numa praga que assolou a América, nomedamente o Caribe, roubaram vilas, povoados e navios que transportavam as riquezas do novo ao velho mundo. Cuba enfrentou desde o século XVI essas agressões, às visitas inesperadas dos assaltadores, os mais notaveis foram o francês Jacques de Sores e os inglêses Francis Drake e Henry Morgan. Havia diferenças entre estes, os piratas eram marinhos dedicados à abordagem de navios e o saque das vilas, enquanto os corsários tinham uma carta-patente do seu rei para provocar danos as nações inimigas. Também existiram outros saqueadores como os bucaneiros, a maioria colonos francêses que se dedicavam ao contrabando. Em 1630 estabeleceram-se no oeste de “La Espanhola” (SãoDomingos) e junto aos britânicos e holandêses, que chegaram depois, foram expulsos, assentando-se entâo na Ilha Tartaruga ou dos piratas, ao norte do Haiti. Também na zona do Caribe realizaram malfeitorias os chamados filibusteiros (termo de origem francêsa) que actuavam com liberdade e se assentaram nessa terra, cuja forma lembra um quelónio. Estes, junto aos bucaneiros, ajudaram a Inglaterra a apoderar-se de Jamaica. Para o historiador Carlos Joaquin Zerquera y Fernández de Lara, a primeira acção de vandalismo que recolhem os livros foi em 1521 e tinha a ver com a América, mas não ocorreu nela. Segundo a literatura da época, Juan Florín (conhecido como Florentino), protegido pelo Rei francês Francisco I, capturou parte do tesouro que pertenceu ao azteca Montezuma, o qual era enviado por Hernán Cortés ao Rey da Espanha. Segundo documentos que ainda são conservados nos Arquivos de Indias, jã desde 1506 havia navios francêses nas águas do Caribe. Para proteger o comércio a Espanha decidiu organizar grandes frotas que eram obrigadas a visitar o porto de Havana. O pesquisador da vila da Trindade, declarada pela UNESCO Património da Humanidade, no centro-sul da Ilha, afirma que o conflito no comercio e pela posse das terras entre Espanha e a Europa originou a piratagem na América. Piratagem em Cuba Desde começos do século XVI toma auge a piratagem no Caribe e na América do Sul, mas é em 1537 quando os francêses realizam os primeiros assaltos em Pinar del Rio. Passado um ano os piratas comandados por DiegoPérez (lugar-tenente de Jacques de Sores), desembarcaram em Havana. Entre as suas preferências estava a de profanar igrejas. Em 1546 os francêses sob ocomando de Jean François de la Roque de Roverbal, que vinhamdo Canadá, atacaram e saquearam Baracoa e Havana. Na segunda metade doséculo XVI, Sores e François Leclerec (Jambe de Bois- Pata de Pau), atacaram a praça de Santiago de Cuba. Depois Saores assaltou Puerto Principe, hoje Camaguey e desembarcou na vila fundada por Velázquez em1514, perto de Nuevitas. Aqui assassinou, roubou e sequestrou mulheres que violava e depois deixava abandonadas nas rochas. Nesse periodo os piratas atacaram as vilas de Trindade, Baracoa, San Juan de los Remedios e Bayamo, enquanto o corsário francês Richard Hawkins o fez contra Manzanillo, a leste da Ilha. Em começos do sèculo XVII Gilberto Girón desembarcou na zona de Bayamo, onde sequestrou o Bispo de Santiago de Cuba, Juan de las Cabezas e Altamirano, que foi resgatado com ajuda dos vizinhos. O pirata foi executado. Este episódio serve a Silvestre de Balboa Troya e Quesada (que morava em Pueeto Principe) para a sua obra “Espelho de Paciência” considerada como a mais antiga poesia cubana. Outro dos grandes assaltos (1628) o realizou o holandês Pieter Pieterszoon , ao capturar em Matanzas um combóio espanhol carregado de ouro e prata com destino a Espanha. Por seu turno, o francês Jacques Jean David Nau assolou os povoados de Batabano, San Juan de los Remedios e Puerto Principe Henry Morgan foi o filibusteiro mais assassino dessa època. Assaltou um assentamento perto de Porto Principe e assassinou as familias que se refugiavam na igreja. Nesta relação de piratas não podia faltar o cubano Diego Grillo, filho de africana e espanhol. Dizem que se converteu num experimentado marinho ao comandar um navio de 10 canhões, atacando embarcações espanholas em Nuevitas e Camaguey. Corsários em Sancti Spiritu e Trindade O Historiador relata que em 1522 Sancti Spiritu e Trindade se convertem no centro económico e político de uma grande região, pelas suas grandes riquezas foram assaltadas, saquedas e incendiadas e destruidos os arquivos originais da Cámara Municipal e a igreja. Em 1654 os piratas desembarcaram pelo porto de Casilda e assaltaram Trindade, centenas de populares fugiram junto ao pároco da igreja que foi assassinado ao retornar para tentar evitar a profanação da igreja. *O autor é correspondente de Prensa latina em Sancti Spiritus Amp