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Sancti Spíritus

CUBA: AFRONTA PÚBLICA EM MÃO DO NEGRO

Por: Mayra Pardillo Gómez*

Sancti Spíritus, Cuba– Uma penosa história assinalou o sitio da região espirituana conhecida como Mão do Negro, por ser alí onde os colonialistas espanhois executavam as sentenças de morte ditadas pela Comissão Militar.

Estava situada nas cercanias de Trindade, declarado Património da Humanidade desde 1988 pela UNESCO, na estrada que conduz ao vale de São Luiz ou dos Engenhos, também hoje Património da Humanidade.

Três patriotas a favor da independência de Cuba foram sacrificados nesse lugar em 18 de agosto de 1851 –José Isidoro Armenteros, Fernando Hernández e Rafael Arcis. Num trabalho de indagação minuciosa divulgado em 1995, a especialista Silvia T. Angelbello explica que este sitio está proposto para ser declarado Monumento Local, por ser histórico.

Eles foram os organizadores, expressa Angelbello, chefes da conjura de 1851 contra a metrópole espanhola e precursores da independência de Cuba. Entre 1868 e 1895, período importante na libertação de Cuba do colonialismo espanhol, também foram fuzilados outros revolucionários.

Em 13 de outubro de 1895 foi assassinado alí o escravo Lino ou Quirino Amézaga, quem foi alfabetizado pelo major-general das três guerras de independência, o espirituano Serafín Sánchez Valdivia (1846-1896). Amézaga, quem chegou a atingir o grau de comandante, é considerado por alguns historiadores como nativo da então Guiné portuguesa e para outros de origem angolana.

Torre IznagaO livro “Trindade e o Turismo” (Editorial Gente, 1954) narra que se nomeou Mão do Negro porque, sendo Governador de Trindade –fundada em 1514 por Diego Velázquez– o havaneiro brigadeiro Dom Pedro Carrillo de Albornoz, revoltarm-se os escravos.

Estes eram comandados pelos negros Juan José Armenteros, Bartolo Bastida e Baltasar Fernández. Condenados a morte e executados em 25 de maio de 1838, a Baltasar e Bartolo forem-lhe mutiladas as mãos direitas, sendo exposta a do último nesse lugar. É por isso, assegura o livro, que se começou a dizer sobre o lugar a frase: “lá, onde puseram a mão do negro”, dando este aborrecível facto o nome do sitio, que também foi conhecido no século XIX como Campo de Marte.

O historiados Francisco Marín Villafuerte em “História de Trindade” (1944) conta doutra maneira estes factos, disse que a revista “Azul e Branco”, do dia 10 de abril de 1910, explicava que a Mão do Negro deve o seu nome a um acontecimento trágico e lamentável.

Expressa que um soldado que escoltava o capitão A. Guerra, Chefe do povo, tinha guardado dois pasteis de milho para a sua refeição, estes foram roubados por um escravo do Capitão e o soldado ao descobri-lo o espancou com força, mas o maltratado, cansado de tanta humilhação, esbofeteou a quem o golpeava.

O escravo foi condenado a 50 açoites num sitio público e também que se lhe cortara a mão direita. Ambas as sentenças foram cumpridas e a “mão foi exposta durante um mes num lugar que a partir de então é conhecido como Mão do Negro”. Contudo, Marín Villafuerte diz : “se tem dito que o nome desse lugar teve a sua origem na sedição de 1838, é um erro, isso não é certo”.

“No Arquivo Municipal consta (Livro de Actas de 1812 a 1821) que em 10 de novembro de 1817 já se chamava à via da Chanzoneta rua da Mão do Negro. Assim aparece também em diferentes publicações do jornal “El Correo”, antes de 1838, concluiu.

A Chefa do Museu de Arquitectura de Trindade, Zaida Ramos, explicou a Prensa Latina que há um monumento em recordção ao fuzilamento dos três patriotas cubanos, mas sobre os escravos diz apenas conhecer só o que a tradição oral expressa. Por uma ou outra causa, chama a atenção o nome de um lugar que teve um triste destino.

*A autora é corresponente de Prensa Latina em Sancti Spiritus.

AMP

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