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DANÇA CONTEMPORÃNEA DESDE OBATALÁ

Por: Nora Sosa*

Havana – Nos inicios deste ano Cathy Marston chegou da Inglaterra e Anthony Giordano dos Estados para a preparação de novas coreografias com o grupo de Dança Comtemporânea de Cuba (DCC), estreadas em Havana com grande concorrência no teatro.

A relação destes destacados coreógrafos do mundo com a companhia artistica e o público de Cuba levam a pensar nas características universais da dança, cuja renovação se apreça particularmente nos colectivos que assumem a contemporaneidade.

Mas também nas características nacionais ao falarem os críticos de dança sobre a sensualidade tão própria do baile cubano na obra “O Dourado”, de Cathy Marston, ideia fortalecida no tema escolhido por Giordano para o seu melodrama “Havana Carnaval”, um jornalista ironizou acerca disto quando disse: “Carnaval Havaneiro chega dos Estados Unidos”, isto é algo assim como vir bailar na casa do pião”.

Miguel Iglesias, o director de Dança Contemporânea de Cuba, confessou-me que o nome de contemporâneo exige vencer todos os dias o estabelecido, pois se não te aventuras não mantens a eterna juventude. Mas seguidamente afirmou que o essencial no grupo de dança está nos seis ou sete velhinhos com muitas experiências transmitidas a um colectivo com uma idade média de 24 anos.

Eu sempre digo, assinala Miguel Iglesias, que uma companhia sem jovens não tem futuro, mas sem velhos não tem tradição, pois não tem história. E a esta história está directamente vinculado o africanismo, pois quando você aprecia uma obra de Dança Comtemporânea de Cuba, está a desfrutar de movimentos inspirados na “ondulação do torso de Obatalá, a pelve como centro motor do movimento próprio da tradição Ioruba, as posições não só paralelas, mas também de adentro, inspiradas no Ireme ou Diabinho, o barroquismo das mãos na forma de expressão cubana, que vêm da cultura bantú...”, segundo assinala o director.

E enquanto às características espanholas ?

- No folclor cubano identifica-se mais fácil a raça negra que a espanhola. Em qualquer bairro pobre o mais branco e louro anda na folia e têm na sua cabeça qualquer “orisha ioruba”. Quando em 1959 triunfa a Revolução, tudo o que era tabu – as tradições da gente humilde- soube à cena. Os temas do fundador de Dança Contemporânea de Cuba, Ramiro Guerra, tratavam o que até 1959 não se podia dizer em nenhum lugar.

- É nesse sentido quando este aluno destacado da Sociedade Pro-Arte Musical, de Nina Verchinina e Martha Graham, abandona o seu trabalho de bailarim para se dedicar à direcção do Conjunto Nacional de Dança Moderna, para o qual cria coreografias como “O Milagre de Anaquille”, “Suite Ioruba”, “A Rebambaramba”, “Orfeo Antilhano”, “Chacona” e “Medea e os Negreiros” onde é fundamental o tema africano.

Nos seus dez anos de trabalho a frente da companhia de dança – lembra Miguel Iglesias – Ramiro Guerra gerou o estilo da dança moderna em Cuba; a partir de que um novo conteúdo ia criando uma nova forma. Também surgem novos bailarins e coreógrafos como Eduardo Rivero, autor de Sulkari, coreografia onde estão presentes o ensino e a inspiração do professor.

E em 1985 é o próprio Miguel Iglesias quem, depois de 10 anos como primeiro bailarim, se coloca a frente do colectivo, o qual coincide com a chegada dos primeiros graduados das Escolas de Arte de Cubanacan.

Actualmente a característica essencial deste grupo tem sido a sua abertura ao mundo, a o mais actual, com espectáculos dançarios onde se utilizam circuitos fechados de televisão, computador, o qual se complementa com a relação com personalidades internacionis da dança como os já mencionados Cathy Marston e Anthony Giordano. Também Jan Linkens, que com a sua obra “Compás” expressa a sua visão sobre Cuba e o Caribe.

*A autora é jornalista cubana. Colaboradora de Prense Latina.

Amp

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