BARCOS NEGREIROS PELO GOLFO DA GUINÉ Por: Roberto Correa Wilson* Pelo Golfo da Guiné transitaram muitas naves em época de escravidão Havana.- Oito nações africanas se encontram diretamente no Golfo da Guiné que se bem na atualidade virou empório de riquezas em virtude da existência de abundantes hidrocarbonetos, faz cinco séculos por suas águas navegaram os primeiros barcos carregados de escravos para as Américas. O Golfo da Guiné está localizado no ocidente africano, quase na parte central do continente e poderia oferecer um testemunho veraz dos sofrimentos de milhões de homens e mulheres caçados nas nações costeiras. Costa de Marfim se encontra na zona mais setentrional, depois estão para o sul, a Gana, Togo, Benin, Nigéria, República do Camarões, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, no estremo ocidental, a 500 km do Gabão. Os pioneiros no tráfico de escravos africanos foram os portugueses; igualmente seus navegantes resultaram os primeiros em chegar às costas continentais. Estabeleceram bases em São Tomé e Príncipe, aonde tinham arribado em 1471 e utilizaram o Arquipélago, durante século como depósito de escravos e ponto de embarque. Para as ilhas foram trasladados muitos dos cativos das regiões costeiras do Golfo, mas também de zonas mais afastadas como Angola, Congo e a atual República da Guiné. São Tomé e Príncipe não foi o único lugar escolhido pelos lusitanos para esses fins, também estabeleceram manufaturas na Ilha Gorée, Senegal, para o comércio de escravos. Múltiplas etnias O conjunto de nações costeiras do Golfo conforma um dos mosaicos étnicos mais interessantes da região ocidental. As principais etnias que formam a população da Costa de Marfim são agniboule, kru, sanufo e melinke. Os primeiros povoadores chegaram ao território ao longo do primeiro milênio e se dedicaram à agricultura. A nação adotou seu nome devido ao tráfico de marfim na época da conquista colonial. Em Gana são os akan, ewe, messi-dagomba, gaadagme, guema e ashantis, os mais importantes. Os portugueses primeiros extraíram quantidades de ouro e a zona recebeu o nome de Costa de Ouro. Passaram ao comércio de especiarias e marfim e depois de escravos. Sobressaem em Benin os fong, ioruba, adja-ge, gung, bargu, somba, dendi, alzo e fulani. Algumas dessas etnias vão se repetir por causa das migrações, como na Nigéria onde os mais importantes são os ioruba, ibos e haussas. Grupos étnicos destacados na República dos Camarões são os kirdis, toulkes e bamileke. Na Guiné Equatorial, fang, bubis, combes, bujobas, annobobós, bojas e balengues. Por sua vez, São Tomé e Príncipe tinha uma fraca presença africana quando da chegada dos portugueses. A maior parte dessas etnias têm uma origem banta, povo que se estabeleceu originariamente na zona que na atualidade ocupa a República dos Camarões e depois iniciou através de séculos uma emigração que se expandiu ao este e o sul do continente. Centenas de línguas e dialetos diferentes servem de forma de comunicação entre estes grupos. Também durante séculos criaram hábitos, crenças e costumes muito particulares surgidos das próprias circunstancias históricas em que se desenvolveram. Esses hábitos, crenças e costumes foram trasladados aos lugares aonde eram levados como escravos e deixaram uma herança indelével na vida nacional e cultura dos países que os acolheram. *O autor é jornalista cubano, especializado em política internacional e já foi correspondente em vários países africanos.