FIDEL CASTRO: UM ANIVERSÁRIO INUSUAL, MAS MERECIDO Por: Ulises Canales* Havana– Embora os preprativos das actividades centrais tenham ocupado essencilmente os havaneiros, toda Cuba envolveu-se nas festividades pelo 80 aniversário do nascimento do presidente Fidel Castro, numa celebração inusual que os cubanos consideram merecidas. Por inicitiva da Fundação do pintor equatoriano Oswalo GuayasamÍn, já falecido, e apesar da reticência do estatista, foi-lhe organizada uma homenagem onde assistiram personalidades de todo o mundo. Fidel Castro fez 80 anos o passado 13 de agosto, mas dias antes notificou ao povo ter sido submetido a uma operação cirúirca, pedindo adiar para uma próxima data a homenagem proposta pela Fundação GuayasamÍn. O presidente propôs o dia 2 de dezembro para a celebraçãodo do seu aniversário, coincidindo com o 50 aniversário do desembarque do iate Granma e o Dia das Forças Armadas Revolucionárias (FAR). O iate Granma partiu em 1956 rumo a Cuba do porto mexicano de Tuxpan com 82 expediciónarios, estavam comandados por Fidel Castro para reiniciar a luta que terminou três anos depois com a queda da ditadura de Fulgencio Batista. Origem da ideia Numa entrevista a Prensa Latina, Pablo Guayasamin, filho do artista falecido em 1999, explicou que o aniversário do governante cubano era um tributo para quem com “dignidade e inteireza soube conduzir os destinos do seu povo”.. Guayasamin (filho) lembrou como o seu pai pediu várias vezes a Fidel Castro converter a data do seu aniversário num momento de convergência, reflexão e solidariedade de amigos e revoluciónarios. Quando o presidente tinha 62 anos e visitou a capital do Equador para assistir à tomada de posse do presidente eleito Rodrigo Borjas, em 10 de agosto de 1988, foi a primeira ocasião em que o criador da “Capela do Homem” tomou interesse na homenagem, precisou. Acrescentou que uma segunda petição do autor de “A Idade da Ira” foi em 1996, próximo a fazer o Chefe de Estado os 70 anos, momento em que foi pensada uma gala com conteúdo literário e reflexivo. O artista, que pintou o presidente em quatro ocasiões, reconheceu no seu amigo “o homem que nos advertiu como o imperialismo extende os seus tentáculos com a sua política do controlo do comércio internacional”. Antes da década dos 80, período de luta contra o pagamento da dívida externa, o líder cubano já denunciava que os Estados Unidos tentavam o submeter os países aos seus interesses, para assim domina-los, expressou o presidente do executivo da Fundação. Uma celebração memorável As actividades, que Pablo Guayasamin definiu como “uma homenagem da cultura ao Comandante”, contemplaram momentos importantes: uma exposição pictórica, um colóquio e um concerto com a participação de personalidades cubanas e estrangeiras. A exposição contou com 100 obras originais do pintor equatoriano titulada “Um abraço de Guayasamin a Fidel”, foi inaugurada no Museu de Belas Artes em Havana o dia 1 de dezembro e contou também com obras de amigos do falecido criador. Segundo os organizadores, são as obras mais significativas das series “Huacaynán (O Camino do Choro”, “A Idade da Ira” e “A Idade Da Ternura”, além dos retratos de Fidel Castro feitos por Guayasamin e também retratos de dirigentes e artistas da ilha. De forma paralela, os 80 anos do presidente Fidel Castro serviu para que jovens, intelectuais, poetas, cientistas e estudosos sociais participaram no colóquio “Memória e Futuro: Cuba e Fidel”. O presidente da Fundação Guayasamin disse que se tinha tentado prestar homenagem ao “único redentor que tem nestos momentos os povos pobres do mundo”. Pablo Guayasamin afirmou que “Fidel Castro representa a luta pela dignidade dos povos, é a luta contra o imperialismo, é irmandade, é não ao ALCA (Acordo de Livre Comércio para as Américas, que promovem os Estados Unidos), é não ao TLC (Tratado de Livre Comércio”. *O autor é Chefe da Redacçãso Nacional de Prensa Latina. (AMP)