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LESOTO E SUAZILÃNDIA CONTRA A COLONIÇÃO

Por: Roberto Correa Wilson*

-Estes são os dois únicos reinos na região do sul do Sara

Havana- Dois reinos estão situados no imenso território sul-africano: Lesoto e Suazilândia, os dois foram no passado vitimas das ambições colonialistas da Grã-Bretanha e da prepotência dos boéres, colonos brancos de origem holandês. Estes dois países constituem as únicas nações no sul do continente governadas por soberanos, os dois têm pequenos territórios e enfrentraram iguais obstáculos desde a chegada do primeiro colonizador até que finalmente conseguiram a independência.

Lesoto é o maior, com uns 30 mil quilómetros quadrados e totalmente circundado pela África do Sul; Suazilândia é menor, apenas com 17 mil quilómetros quadrados e com uma pequena fronteira com o vizinho Moçambique, mas nenhum possui as grandes riquezas naturais que se encontram noutras nações da região.

A Grã-Bretanha, a potência que mais terras conquistou em África, depois da França, insistiu em converter estes dois reinos em colónia devido às lutas entre as metrópoles europeias por ocupar mais territórios, considerando-os estratégicos para as suas pretensões de governar o sul do continente.

No século XVIII surgiu o pretexto para ocupar Lesoto. Os nativos enfrentavam-se às agressões dos boéres, que habitavam na provincia sul-africana de Transval. Surgiram diferenças com o Estado Livre de Orange, dominado pelos boéres, cujos objectivos eram os memos dos britânicos.

SuazilândiaO chefe do povo basoto (assim era chamado o principal grupo étnico do país) para fazer face às agressões dos boéres pediu protecção aos britânicos estabelecidos na Colónia do Cabo: Estes entenderam a solicitude de uma maneira muito particular e a protecção converteu-se em escravidão colonial.

Por volta de 1871 a Inglaterra anexou Basutolândia, como era chamada, aos seus dominios da Colónia do Cabo. Os nativos perderam a sua soberania e deviam sobreviver às ambições entre ambos os bandos: britânicos e boéres.

Mas o dominio bitânico não transcorreu sem sobressaltos para Londres. Em virtude do descontentamento acumulado, em 1880 estoirou uma revolta quando os colonialistas tentaram desarmar o povo: disputa que durou três anos e a resistência foi vencida pela superioridade em armamentos e um maior conhecimento da arte militar.

Colónia de Suazilândia

A fertilidade da terra, a abundante caça, florestas e a possibilidade de explorar recursos minerais atrairam os colonos inglêses, que se estabeleceram em Suazilândia em 1878, recebendo muitas concessões do chefe dos suazis. As concessões alargaram-se não só às possessões das terras ou florestas, mas também as comunicações e manufacturas e o direito de cobrar impostos: Isto levou à condução do país pela Grã-Bretanha, sem o consentimento dos aborígens

Os anos seguintes foram tristes para os suazis que viam como a terra herdada dos seus antepassados era governada por mãos estranhas e era eixo das rivalidades entre britânicos e boéres. Finalizada a guerra anglo-boéres em 1904, ganhada pelos primeiros, os colonialistas da Grã-Bretanha fizeram-se responsáveis de Suazilândia.

Começava uma nova etapa na vida política, económica e social de Suazilândia. Como no caso de Lesoto, o colonialismo britânico apoderava-se de um país desconhendo os direitos da população a viver em liberdade sem a tutela de um poder estrangeiro.

*O autor é jornlista cubano, especialista em política internacional, e já foi correspondente em varios países africanos.

Amp

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