OPERAÇÕES DE PAZ: UM PRETEXTO PARA A GUERRA Por: Gustavo Robreño Díaz* Segundo a Estrátegia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, assinada pelo presidente Bush no dia 16 de março de 2006, “o combate ao terrorismo inclui o emprego da força militar”. Propoem-se para isto o melhoramento da capacidade das Nações Unidas e as organizações regionais, visando a integração de unidades militares bem treinadas de desdobramento rápido para participarem em “Operações de Paz”. A ideia consiste na configuração de uma “Força Regional de Desdobramento Rápido”, estruturada a nivel de Brigrada, -com um componente naval incluido-, capaz de intervir em situações como: desastres naturais, controlo do narcotráfico ou ameaças “não convencionais”. Os Estados Unidos perseguem com isto uma força multinacional que responda aos seus interesses na região, com capacidade e mandato “para operar no território de qualquer país membro”. Para isto, a dita Força deve estar dotada com lancha para patrulhar, radares, equipamentos para a comunicação, aviões e helicópteros”. Está previsto que a formação dessa força multinacional seja um tema a debater na VII Conferência dos Ministros de Defesa das Américas, a ter lugar em outubro próximo em Managua, Nicaragua. Uma velha intenção Embora agora tenha relevância a ideia norte-americana de estabelecer uma “Força de Paz”, na América Latina isto não é uma novidade. Em abril de 1965, logo fortes pressões no seio da Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos integraram uma chamada Força Interamericana de Paz”, visando a legitimazação da sua intervenção na República Dominicana”. Nesse país do Caribe um grupo de militares – com apoio popular – tinha-se revoltado contra o governo de Donald Reid Cabral, em favor do norte-americano- cuja tomada de posse resultou da assuada golpìsta que derrubou o presidente constitucional, Juan Bosh. Logo fortes debates –e uma votação a portas fechadas – no dia 6 de maio desdobram-se em São Domingos 12 mil e 632 efectivos do Brasil, o Paraguai, a Costa Rica, El Salvador, as Honduras, a Nicaragua e os Estados Unidos, permanecendo nessa nação até 1966. Pretendendo dar carácter permanente a essa força de ocupação, o senado norte-americano aprovou fixar um orçamento anual de 25 milhões de dólares. Os Estados Unidos propuseram reiteradamente a análise e discussão do tema em multíplices reuniões, mas nenhuma consegiu a maioria necessaria para o seu cumprimento. O ressurgimento de uma ideia Como um “juiz supremo”, a actual administração norte-americana diz ter chegado á conclusão de que “a comunidade internacional não conta com suficientes forças militares de alta qualidade”. Por esta razão, entre os dias 21 e 28 de abril passado, 600 delegados de agências de emergência e militares de 23 países latino-amaericanos, além dos Estados Unidos e o Canadá, participaram nas Honduras num treino conjunto perante desastres naturais. Segundo espressou o Chefe da Comissão Permanente de Contengências (COPECO) das Honduras, Juan Carlos Elvir, o treino permitiu aos participantes “uma preparação face a uma crise e conhecer ainda os elementos com os quais se conta para dar uma resposta de emergência”. Posteriormente, entre os dias 12 e 23 de junho, uns 350 representantes de 22 exércitos de Centro-américa e o Caribe paraticiparam na Guatemala na chamada operação “Mantimento de Paz Norte 2006”. Patrocinado pelo Comando Meridional (Sul) dos Estados Unidos e o Exército da Guatemala, o exercicio, que contou com a aprovação do Departamento das Naçõoes Unidas para o mantimento da Paz, - desenvolveu-se no departamento de Cobán, ao norte do país. Avaliada em 2,5 milhões de dólares, foi dito então que a reunião militar visava “o melhoramento da comunicação e coordenação entre os Exércitos, Policias e organizações civis envolvidas nas Operações de Paz. Desde finais do passado ano, com financiamento norte-americano, estabeleceu-se na Guatemala o “Centro Regional de Treino para Operações de Paz”, com capacidade para mil e 500 efectivos, que qualifica os militares centro-americanos que farão parte dessa força. A compaginação de Forças Multinacionais é um alicerce táctico sobre o qual se estruturam os execicios conjuntos que, nestes momentos, realizam os militares norte-americanos com os exércitos da América Latina. Contudo, para ninguem já en um segredo que os Estados Unidos com estas manobras perseguem conhecer sobre o país ou região em que se realizam, a sua população, recursos naturais, biodiversidade, etc. É assim que entre os dias 2 e 4 de agosto, uns 180 militares e civis de 14 países da América latina, convocados pelos Estados Unidos, participaram em Lima, Perú, numa Conferência sobre “Operações de mantimento de Paz”. Segundo porta-vozes militares peruanos, o objectivo do encontro foi “para uma troca de experiências, exame dos desafios, aumento das capacidades para manter a paz e promoção da cooperação regional e multinacional”. O Comando Meridional (Sul) dos Estados Unidos informou ter planejado esta actividade há um ano e que “terá uma incidência sobre o trabalho dos exércitos latino-americanos, em especial, sobre operações multinacionais”. Ao mesmo tempo e também regidas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, o dia 3 de agosto iniciaram-se no Perú os chamados exercicios humanitários “novos Horizontes 2006”. Segundo a informação á imprensa, a “accão civico-humanitária”, em que participaram 200 efectivos norte-americanos, consistiu na execução de projectos de construção e atenção médica no Departamento de Lambayeque, na zona norte do país. Ao informar sobre isto as autoridades militares peruanas precisaram que “não ia participar nenhuma força de combate” e que os objectivos que desejava cumprimentar o programa eram sobre “iniciativas de desenvolvimentto do Perú e oportunidades realistas de trabalho e capacitação”. Estas manobras estão também em correspondência com o formulado na nova Estratégia de Segurança Nacional, a partir da qual as alianças mais fortes dos Estados Unidos são com aqueles com os quais comparte “valores e principios comuns”. *O autor é Colaborador de Prensa Latina. Amp