PETRÓLEO: AUMENTO DOS PREÇOS VERSUS CRESCIMENTO ECONÔMICO Por: Mario Esquivel* Caracas- O aumento nos preços do petróleo, associado com problemas de produção, fatores políticos e o clima, se torna um obstáculo difícil de superar para a expansão da economia internacional. Para os analistas, os mercados energéticos internacionais mostram cada vez maior sensibilidade e reagem com dureza a qualquer sinal, por mínimo que seja num comportamento que descobre sua extrema volatilidade. Por outra parte, a rentabilidade que aportam os contratos petroleiros a futuro serve de incentivo aos especuladores que acodem cada vez em maior número em busca de ganâncias para seus capitais. Nessas ações apenas tomam em conta o efeito negativo sobre as cotações, pois na prática as cifras mostram que cada dia se comercializa um volume de petróleo muito superior à produção real. Os sinais das últimas semanas evidenciam que resulta prematuro mencionar a possibilidade de uma queda nas corações, pois o anúncio de problemas produtivos e a agressão de Israel contra o Líbano levaram o combustível a novos máximos. No ponto se soma, aliás, o tema do Irã, importante produtor de petróleo e que enfrenta eventuais sanções econômicas por sua política nuclear, à qual Teerã atribui objetivos pacíficos e por isso se nega a suspender o enriquecimento de urânio. Quando já ninguém pensava nisso, o West Texas Intermediate (WTI) cresceu até os 78,64 dólares por barril com o só fato de mencionar a ameaça de recortes produtivos no Oriente Médio, onde se concentram as maiores reservas mundiais do ouro negro. Em igual direção marchou a cesta de onze tipos de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), ao marcar um recorde de 72,64 o barril. Desse jeito, atrás ficam os dias quando as nações produtoras observavam com inquietude como a cotação dos hidrocarbonetos oscilava em torno dos 12 dólares o barril e apenas alcançava a cobrir custos de operações. O golpe mais recente à indústria surgiu no próprio mercado estadunidense com o inesperado anúncio de paralisação no jazimento de Prudhoe Bay, Alaska, o maior do país e operado pelo consórcio British Petroleum. À medida que, finalmente poderia envolver só algumas zonas do campo, deixa fora de circulação 400 mil barris diários de petróleo procedentes de um depósito que classifica na 18ª posição a nível mundial. Com uma superfície total de 81 mil hectares, as reservas do mencionada jazida superam os 25 mil milhões de barris e em sua exploração fazem parte, aliás, as empresas ConoPhillips e ExxonMobil. Os fatores técnicos se estendem também para o México, onde diversas fontes alertaram sobre a necessidade de destinar importantes recursos para o jazimento de Cantarell que aporta cerca do 60% da produção total de petróleo dessa nação. Nesse contexto se inclui ainda a Nigéria onde as ações ocorridas no Delta do Níger mantém fora do mercado a mais de 500 mil tonéis de hidrocarbonetos por dia. Aos elementos anteriormente mencionados acrescenta-se o clima, com a lembrança na mente dos consumidores do severo impacto causado nas jazidas do Golfo do México pelos furacões Katrina e Rita no ano passado. Recortes no bombeio por mais de um milhão de barris diários, dezenas de plataformas de extração e oleodutos destruídos se somaram à paralisação de mais de 12 refinarias na costa norte-americana no balanço inquietante em extremo. A simples menção de um fenômeno meteorológico no Atlântico é suficiente para desatar o pânico, tal e como ocorreu com a tormenta tropical Chris, cuja trajetória ameaçou o Golfo do México e esse fato só levou ao aumento nas cotações. Finalmente esse meteoro se dissipou, sem que por isso diminuísse a tensão perante os prognósticos de mais ciclones desse tipo nas próximas semanas. O coquetel explosivo presente nos mercados energéticos é visto também como uma espécie de combinação letal para a economia internacional, pois já se mencionam ajustem nas perspectivas de expansão a curto prazo. De fato, a reaparição das faturas energéticas passa sua conta às aspirações otimistas de crescimento, o que é acompanhado de efeitos negativos no combate de indicadores como a pobreza e a fome para o mundo em desenvolvimento. *O autor é Correspondente de Prensa Latina na Venezuela.