POPULAÇÃO NEGRA CARIBENHA Por: Roberto Correa Wilson* A colonização européia introduziu a escravidão nas ilhas... Havana.- Sombras e luzes estão presentes na história das ilhas do Caribe desde o século XVI, quando as potências européias afirmaram sua presença na região. As ilhas, originalmente, tiveram como únicos e autênticos povoadores os aborígines que deixaram sua herança em nomes, usos e costumes diversos. A chegada de Cristóvão Colombo em 12 de Outubro de 1492 à ilha Guahananí, no Arquipélago das Bahamas (em agradecimento o almirante as chamou de São Salvador; hoje é conhecida como Watling Island), durante sua primeira viagem à América, encerrou uma época na vida dos siboneis, taínos, arawaks, guanahatabeis e outros grupos autóctones que viram interrompidos seus modos ancestrais de vida e, inaugurou uma nova etapa que seria em adiante muito mais complexa e difícil. Em duas viagens posteriores, em 1493, Colombo explorou as Antilhas Menores, Porto Rico e Jamaica; em 1498, descobriu Trinidad, a desembocadura do rio Orinoco e a Ponta de Pária (Venezuela). Cuba e o Haiti, denominada esta última A Espanhola, ilha que comparte com a República Dominicana e os indígenas a chamam de Quisqueya, foram visitadas na primeira viagem. O marinho estivera, no fundamental, nas principais ilhas do Caribe. O caminho aberta pelo navegante genovês seria percorrido nos séculos imediatos pela Grã-Bretanha, França, Holanda e, obviamente, por Espanha. Estas potências repartiram entre si um território de 235,7 mil km quadrados, onde implantaram um sistema colonial com um modo de produção baseado no trabalho escravo. Embora na Europa da época existisse um desenvolvimento de manufaturas, as potências coloniais nunca se pronunciaram por tê-lo estendido às colônias. Estabeleceu-se um sistema de plantações nas que só eram cultivados os produtos que interessavam à metrópole. O trato cruel e inumano aos aborígines causou o extermínio da população local. Os donos das plantações necessitavam força de trabalho para fazer produzir as fazendas. Todas as potências coloniais introduziram nas ilhas do Caribe escravos africanos em massa que viraram a principal força de trabalho. Os especialistas calculam em mais de dois milhões de homens, mulheres e crianças que chegaram à região como escravos. População negra Foi em virtude do tráfico de escravos que em todas as ilhas das Grandes Antilhas: Cuba, A Espanhola (Haiti e Dominicana), Jamaica e Porto Rico haja população negra. Também existe nas Pequenas Antilhas que constituem um grande arco de ínsulas desde Porto Rico até a costa da Venezuela: Saint Kitts e Névis, Antiga e Barbuda, Dominica, Santa Lucia, Barbados, São Vicente, Granada e Trinidad e Tobago. Também existem em territórios dependentes: Ilhas Virgens, administradas pelos Estados Unidos, Ilhas Caiman, Ilhas Virgens Britânicas, Anguila e Montserrat, pela Grã-Bretanha; a Martinica e Guadalupe, conhecidas como Antilhas Francesas, pela França; as Antilhas Holandesas e Aruba, pela Holanda. Porto Rico tem o eufemístico status de “estado livre associado” dos Estados Unidos. É essa a razão de boa parte da origem africana da população das ilhas do Caribe que através do tempo deixaram profundos legados em diferentes aspectos da cultura, nos costumes e, em geral, no jeito de serem seus povos. *O autor é jornalista cubano, especializado em política internacional e já foi correspondente em vários países africanos.