MAISA POBREZA NO 2006 Por: Jaime Porcell* Havana– Mis de dois biliões de pessoas no mundo continuaram a viver no 2006 na pobreza, segundo dados do Banco Mundial, a maior parte deles em África, a América Latina o Caribe e outras regiões asiáticas. Segundo dados fornecidos ao encerrar este ano, longe de diminuir, esse açoite parece destinado a avançar desenfreadamente, impulsionado pelo neoliberalismo, a globlização e uma desigual distribuição da riqueza. A desigualdade no ensino e os serviços sociais, a falta de higiene pública, a ausência do fornecimento de água potável, mercados insuficientes, o latifúndio e a falta de infra-estruturas apropriadas unem-se aos não bem partilhados recursos monetários. No mundo, 77 por cento das pessoas mais pobres vivem no campo, mas as condições de vida de 23 por cento daqueles que moram nas cidades é ainda pior. A maior miséria tem rosto urbano. Mais de 800 milhões de pessoas vão dormir cada dia sem comer algum alimento e deles 300 milhões são crianças. Contudo, Amartya Sen, Nobel de Economia em 1988, estabeleceu num dos seus estudos que o investimento na infância, se tomamos em conta a sua relação com a idade adulta, é um componente importante no desenvolvimento futuro de qualquer nação. Em África ao sul do Sara, com 60 por cento da população que vive na miséria, o trabalho apenas dá para comer e as pertenenças materiais não existem ou são poucas. Para 50 por cento da população do continente africano são comuns doenças como o cólera e a diarreia infantil pela falta de água potável, tambem a malária ataca com sanha às crinças. Nas últimas duas décadas a esperança de vida dos africanos caiu em 15 anos por causa da pobreza e as doenças. América Latina A América Latina, empobrecida por um comércio internacional injusto, privatizações apressuradas e reformas fiscais desfavoráveis, aparece, contudo, nas estatísticas e prognósticos como uma região com boas perspectivas no seu Produto Interno Bruto. O Banco Mundial e o Fundo Monétario Internacional indicam um crescimento económico para a região entre 4,50 e 4,75 por cento para 2007, se consideramos que a subida do Produto Interno Bruto é sinónimo de progresso. A realidade é muito diferente, 15 por cento das crianças com menos de cinco anos sofrem desnutrição, sinal de pobreza extrema. O próprio Banco Mundial reconhece que 128 milhões de latino-americanos vivem com menos de dois dólares, 50 milhões deles estão na pior miséria, pois recebem menos de um dólar diário. O México, membro do Tratado Livre de Comércio da América do Norte, que supostamente beneficiaria a sua população, viu crescer o seu nivel de pobreza a 23 milhões de pessoas, 17 milhões são consideradas na indigência. A contradição entre o declarado crescimento económico da América Latina e a grave situação social explica-se pela distância tão grande que existe entre pobres e ricos. A América Central é outro exemplo da devastação da pobreza. As Honduras é o segundo país mais pobre dessa região e o terceiro da América Latina e o Caribe, depois do Haití e a Nicarágua. Na América Central encontramos exemplos das graves consequências da partilha desigual da riqueza. Na Guatemala mais de 50 por cento da população vive por debaixo da linha da pobreza e mais de um milhão de meninos trabalham e não estudam. O Haití ultrapassa todos os limites. Os pobres representam 70 por cento da população e a esperança de vida não chega aos 50 anos; metade da população não sabe ler nem escrever. A desnutrição ataca 47 por cento dos haitianos e a SIDA tem a maior taxa de mortalidade do Caribe, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Também a Asia não escapa do Apocalipse do século XXI. Mais de 350 milhões de meninos vivem na mendicidade, 10 milhões não vão ás aulas, pois devem trabalhar para ajudar à familia a sobreviver, uma criança em cada 10 morre antes de chegar aos cinco anos. Países industrializados A pobreza cresce nos tempos do neoliberlismo e consolida-se nos Estados Unidos. Fala-se da potente economia norte-americana, mas o certo é que a repartição desigual das riquezas provoca que quase 30 milhões de pessoas sejam consideradas como muito pobres nesse país. Quer dizer que no país mais rico do planeta, um em cada quatro membros da população negra, 21 por cento de origem hispana e oito por cento dos brancos norte-americanos não podem cobrir as suas necessidades fundamentais de alimentos, vestuário e habitação. A Velha Europa reune cerca de 56 milhões de pessoas em igual situação, a Grécia, Portugal e a Espanha são os países onde pior distribuida está a riqueza. A Europa, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação é uma região caracterizada por uma grande diversidade, pois compreende alguns dos países mais avançados do mundo e outros com alta pertentagem de pobreza. Se aumentar o número de pobres, outros problemas serão consolidados, como a delinquência, a fome, as doenças, a prostituição e o aumento da delinquência. A pretensão de que as receitas neoliberais, a globalização e a liberalização comercial darão termo à pobreza é uma especulação sem fundamento, rechaçada pelas realidades de um mundo cada vez mais pobre. *O autor é jornalista da Redacção Económica de Prensa Latina. AMP