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SERRA LEOA: DUAS ESCRAVATURAS

Por: Roberto Correa Wilson*

-Neste país deram-se duas formas de exploração humana

Havana– A história dos Estados da Guiné em começos da nossa era é pouco conhecida por falta de pesquisas arqueológicas importantes, portanto, é inevitável confiar nas tradições orais dos povos. A actual Serra Leoa fazia parte dos Estados da Guiné, denominava-se assim a uma faixa costeira da África Ocidental próxima à parte central do continente.

Contudo, no século XIII os habitantes dessa zona já tinham começado a criar pequenos Estados, que foram fundados por povoadores provenientes do Sudão Ocidental, a extensa região que ocupam hoje países do Sael, de leste a oeste do continente. Esses habitantes tinham chegado a esse território depois de percorrrer as florestas que separavam estas duas regiões, estabelecendo-se nos actuais países de Serra Leoa e Libéria.

As sociedades dos Estados guineenses tinham, segundo os peritos, um carácter urbano. A economia fundamentava-se na agricultura e os habitantes viviam em colónias, cerca das casas dos seus reis e anciãos. As colónias mudavam de tamanho, desde simples povoados até cidades.

Na metade oeste da África Ocidental dominavam os comerciantes mendes. Antes da chegada dos europeus existia, portanto, uma rede de rotas comerciais que unia cidades e povos através de quase toda a África Ocidental, entre o deserto do Sara e a costa.

Embora grande parte do comércio tivesse sido, sem dúvida, de carácter local, por exemplo a troca de alimentos por manufacturas, as transacções dos mercadores mendes, jorubas e hausas eram regionais.

Escravatura

Nos Estados guineenses existia a escravidão doméstica, sobretudo naquelas comunidades mais desenvolvidas que trabalhavam como criados que serviam numa casa e trabalhadores agricolas dos reis e outras personagens destacadas.

O comércio de escravos a grande escala desenvolveu-se depois da chegada dos portuguêses. O navegante lusitano Pedro de Cintra chegou às costas de Serra Leoa em 1460 e a chamou assim pelas formas geográficas das suas montanhas vistas desde o litoral.

Os portuguêses abriram estabelecimentos comercias onde se amontovam os escravos caçados nas diferentes regiões até que os navios chegassem para os transportar para o Brasil, onde arribaram em 1500 os seus primeiros exploradores.

Mais tarde os portuguêses foram expulsos pelos inglêses, que continuaram a explorar o comércio de escravos, até que foi proibido pela Grã-Bretanha em 1807 atendendo aos seus interesses muito particulares do seu desenvolvimento económico.

Anteriormente, em 1787 a Inglaterra enviou à baia de Freetown, na costa de Serra Leoa, o primeiro grupo de africanos, escravos livres que tinham lutado do lado inglês na guerra de independência das 13 colónias norte-americanas. Muitos deles morreram devido a que a Grã-Bretanha não proveu o grupo do necessario para a sua supervivência.

Logo chegou um outro grupo e já em 1911 havia ali uns dois mil negros livres. Essa nova colónia tinha dois propósitos: de encontrar assentamento para antigos escravos, agora livres. E implantar o dominio colonial britânico na zona.

*O autor é jornalista cubano, especializado em política internacional e já foi correspondente em vários países africanos.

Amp

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